Sr. Escritor

A escavar, raspar o fundo de um barril que infelizmente é o unico que tenho.
Perguntar-me ao zangar-me porquê.
Carregado, sobrecarregado pela intensiade de pensar sobre tudo a toda a hora.
Racionalidade de lógica na emocionalidade de querer sentir precisamente o que quero sentir.
É isto sim senhor, o meu senhor escritor.

Atirar com as costas da mão um copo para um pouco mais longe do que perto. Com uma mão sobre a fronte, onde o cabelo fronteia a testa.
Escondido em palavras de verborreia, como um escudo que se faz de conta não se ter.

Sair por sair na hipocrisia de justificação, expiação e explicação.
“Sai porque sai”.
“Sai , porque assim me ordeno” – e eu sou o dono e senhor da uma qualquer realidade momentânea.
Como esta, por exemplo.

O que quero dizer, é que estou farto de assinaturas “o que eu quero dizer”.
Que quero que saia sem pompa e circunstancia.
Sem motivos ocultos ou assumidos.
Que quero poder perder-me em franca escrita pela santidade que ela por si é.
Escrever, mas não pelo que me está sempre e em todo o lado.
Como aqui, por exemplo.

Mr. Writer – Stereophonics

Mr Writer, why don’t you tell it like it is?
Why don’t you tell it like it really is?
Before you go on home
 Imagem: Constatine (2005)