Obsessão (ou quase)

Para Raquel era incrível como João falava de tudo sem dizer nada em concreto, como manipulava uma espécie de sub-linguagem privada entre os dois. Um diálogo insistentemente jocoso, só sério quando ela assim o exigia.

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– Eu pergunto-me…
– Sobre quê?
João olhava-a directamente. Para ele, naquele momento, não existia nada mais belo que Raquel. A cara emoldurada por madeixas castanhas, propositadamente despenteadas. A luz suave na sua pele morena à oscilação das velas sobre a mesa. O vestido de verão, o mesmo da festa da praça, a realçar as linhas angulares do pescoço… Ela estava linda.
– Sobre esta obsessão. Se a tua é igual à minha… Se me olhas quando pensas que não te vejo, cheia de culpa e vontade.
Raquel manteve-se em silêncio com um sorriso nos lábios. Noutra altura teria respondido imediatamente, mas estava mais velha e gostava de acreditar que também mais sábia. O jogo teria mais gozo assim.
– É compreensível e não ao mesmo tempo e é esse o problema – continuou João – entre o que queres fazer com a tua vida e o que se passou… o risco. E eu compreendo, pelo menos essa parte. Mas depois vem o porquê, não é? O porquê de eu estar aqui e não ao mesmo tempo. O porquê de estar sempre na tua cabeça, mesmo quando me tentas expulsar. O porquê de estares curiosa, mais do que devias às vezes, e, mesmo assim, estares bem comigo ao longe… Porquê, porquê, porquê. Há muitos porquês… e um pior, mas não quero falar dele… – João hesitou por momentos, como se a recentrar antes de continuar – É por isto que te pergunto, se a tua é igual à minha…
– A obsessão – respondeu Raquel.
– A obsessão. De culpa e vontade.
Para Raquel era incrível como João falava de tudo sem dizer nada em concreto, como manipulava uma espécie de sub-linguagem privada entre os dois. Um diálogo insistentemente jocoso, só sério quando ela assim o exigia.
– Tu não mudas.
– Será?
– Sim.
– Já te ocorreu que podes estar errado? – continuou Raquel.
– Qual seria a piada se estivesse?
Raquel recostou-se na cadeira.
– Silêncios também são respostas – continuou João.
– Eu sei – disse Raquel.

Blueless Bird – Joni Fatora

For all I know
perhaps the birds don’t even sing at all

Imagem: Crazy Stupid Love (2011)

Curar

Palavras caras, preciosismos e estilo:
Tudo o que não se quer.

O que se quer é pintar com palavras.
É sentir e fazer sentir!
Estremecer com aquele delicioso delicioso passar dos olhos.

O que se quer é vibrar. Em êxtase de querer ler mais!
O que se quer é uma espécie de epopeia. Em completo com meia dúzia de linhas!
O que se quer!
Sim.
Sim… O que se quer…

Tenho lido muito e muitas vezes e assim encontrei beleza nas voz distinta de cada bom autor.
É algo que quero para mim, que me leva a pensar sobre qual será a minha própria voz…

“Como escrevo? Sobre que escrevo?
O que quero?
O que quero mesmo?”

Sentimentos

Desculpa.
São os meus sentimentos a falar com os teus.

Atormentam-nos. Aos dois.

Egoísta, sim.
Certo? Mais.

Como sou eu? Tu? Sem alegria de te ver?
De te pensar.
De te tocar.
Te confundir com o sol.

E eu sei… Não estão certos os teus.
Atacam-te.
… Ataco-te.
Prazer, nostalgia…
… hipótese.
Pior que mágoa e cicatrizes:
Hipótese.
“E se?…”
“E se nós?”

Eu sei …
Acredita que sei.

Cicatrizes abrem – eu sei.
“Como te atreves?” – eu sei…

Eu sei.

Desculpa.
São os meus sentimentos a falar com os teus.

Electric Youth – The Best Thing

And you, and you

 

Imagem: Baby Driver (2017)
Data de escrita: 07/09/2016

palco porta para um teatro de tormenta e felicidade.

Haverá melhor frase para aqueles que carregam com intransigência um sorriso falso e um pensamento constante no fundinho das suas mentes?

“A cidade está deserta e alguém escreveu o teu nome em toda a parte”

Desejo ter sido eu a escrever isto.
E podia desenrolar-me em como a frase me faz sentir, a atmosfera que cria e os pêlos que levanta.
Mas não. Desejo ter escrito isto… não pela qualidade que tem, mas para poder ter sido o primeiro.
Ser aquele que heroicamente descortinou de espada em riste o palco porta para um teatro de tormenta e felicidade.

Credo… acho que exagerei um pouco. Desculpem.
Às vezes exalto-me em como estas coisas me fazem sentir – uma espécie de tremor nas pontas dos dedos que só conseguido apagar ao martelar teclas de suor romântico.

“A cidade está deserta e alguém escreveu o teu nome em toda a parte”

Haverá algo mais perfeito para a maldição silenciosa que é gostar de alguém?
Haverá melhor frase para aqueles que carregam com intransigência um sorriso falso e um pensamento constante no fundinho das suas mentes?
Que ouvem musica soul, baladas tristes, até teen pop, e compreendem tudo bem demais? Velhos e novos ao mesmo tempo por sentirem um amor intemporal não correspondido?

Religiosos e ateus. Agnósticos!
Todos sob uma bandeira de nação comum…

Exaltei-me outra vez.

“A cidade está deserta e alguém escreveu o teu nome em toda a parte”

Há muita coisa a dizer de facto.
Adoro a frase.

Alguém escreveu o teu nome em toda a parte, mas eu não o encontro em lado nenhum.

“A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura!
Ora amarga! Ora doce!
Pra nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura!”
– Ornatos Violeta em Ouvi Dizer
Nota: Melhor servido com uma boa dose de Dave Matthews Band (Satellite ou If Only para melhores resultados)

Baby

– Mas não podemos ser tipo… um amor de cinema? Fogo-de-artificio e sei que vou ficar contigo a minha vida toda?
– Podemos. Queres ficar comigo a vida toda?
– Não. Não me sabes seduzir.
– Tens a certeza?
– Tenho.
– Então, por que continuas aqui sentada?

– O diálogo é importante?
– Sim. É fundamental. É com ele que fazes a exposição, com que contas a história.
– Hm…Vamos fazer uma história.
– Os dois?
– Sim.
– Que história queres fazer?
– Tu é que me dizes, tu é que és o escritor.
– O melhor do mundo.
– Não és?
– Para ti sim.
– “Para mim, sim…” Quase que me seduzes assim… quase.
– E eu quero seduzir-te?
– Queres.
– Porquê?
– Vais continuar a fazer perguntas ou vais começar a seduzir-me?
– Para te seduzir tenho que fazer perguntas.
– Porquê?
– Porque nos acábamos de conhecer.
– Mas não podemos ser tipo… um amor de cinema? Fogo-de-artificio e sei que vou ficar contigo a minha vida toda?
– Podemos. Queres ficar comigo a vida toda?
– Não. Não me sabes seduzir.
– Tens a certeza?
– Tenho.
– Então, por que continuas aqui sentada?
– …
– …
– … Achas que foste muito esperto com essa pergunta, não achas?
– Não. Só um bocadinho sedutor.
– Já te ocorreu que podes ser uma obra de caridade qualquer para mim?
– Amor de cinema para obra de caridade…
– Ainda não decidi.
– Já reparei
– Por isso é melhor teres cuidado. Levanto-me a qualquer momento e desapareço.
– Não.
– Porquê?
– Queres levantar-te?
– Não.
– Estás a ver?
– Só por essa devia mesmo ir embora.
– Não vás.
– …
– Qual é o teu filme preferido?
– Doze Homens em Fúria
– Foste rápida. Não acredito.
– Porquê?
– Pelo comentário de amor de cinema há bocado. Todos temos um filme que consideramos como sendo o melhor, mas existe sempre um, bom ou mau, que nos toca a nível pessoal, que é o nosso preferido. Não achas?
– Acho que posso dizer que sim. És sempre tão quadrado a pensar?
– Tu não gostas mesmo de responder a perguntas pois não?
– Pelos vistos tu também não.
– Sim, tenho tendência para isso.
– Tu? O Grande Ensaísta? Agora sou eu que não acredito.
– Só o sou quando não estou a seduzir meninas como tu.
– Então deves ser mesmo grande…
– Por não haver mais meninas como tu ou por não seduzir ninguém?
– O que achas?
– Que és muito engraçada.
– Sou não sou? Eu sei.
– Então e o filme?
– Love Rosie
– Afinal.
– Sim. É óbvio que tens razão. Qualquer pessoa tem guilty pleasures. Mas, neste caso, há um problema… O enredo. Apesar dos problemas e dos anos todos… continua muito perfeito.
– É um filme.
– Sim… mas não sei… vejo-o e acho sempre que há uma história parecida, mais realista, que gostava de ser eu a contar.
– E não contas porquê?
– Não sou escritora.
– Isso não tem nada que saber. Se há algo que queres escrever, escreve.
– Sim, mas tu és o grande ensaísta…
– Sedutor.
– Antes fosses, mas não. O que eu quero dizer é que para ti é fácil falar assim.
– Não. Só escrevo muitas vezes. O que não quer dizer que seja fácil, torna-se mais fácil… Tens de experimentar. Faz muito bem e vais gostar.
– É?
– É.
– …
– …
– Afinal até sabes seduzir qualquer coisa.
– Isso é óbvio.
– Mas assim não.
– Assim como?
– Quando és convencido. Sabes seduzir quando não estás a tentar fazê-lo. E quando sorris. Quando sorris sabes seduzir.
– Há quanto tempo nos conhecemos?
– Há uma hora mais ou menos.
– E sabes isto tudo sobre mim?
– É como te disse, pode ser que seja amor de cinema. Dois olhares, fogo-de-artifício e com sorte, muita sorte na verdade, até pode ser que leves um beijo meu no fim.

Estavas encostada contra a parede da cafetaria com o cabelo ondulado solto caído sobre o ombro. A fluorescência das luzes néon incendiavam-no de amarelo, rosa e dourado.
Sorriste quando acabaste de falar e naqueles segundos de silêncio, a olhar para ti em chamas com a imaginação de um beijo na minha mente, fizeste fogo-de-artificio em toda a parte.

 

B-A-B-Y – Carla Thomas

Whenever the sun don’t shine
You go out to light my hind
Then I get real close to you
And your sweet kisses see me through

 

Imagem: Baby (2017)

Sr. Escritor

Atirar com as costas da mão um copo para um pouco mais longe do que perto. Com uma mão sobre a fronte, onde o cabelo fronteia a testa.
Escondido em palavras de verborreia, como um escudo que se faz de conta não se ter.

A escavar, raspar o fundo de um barril que infelizmente é o unico que tenho.
Perguntar-me ao zangar-me porquê.
Carregado, sobrecarregado pela intensiade de pensar sobre tudo a toda a hora.
Racionalidade de lógica na emocionalidade de querer sentir precisamente o que quero sentir.
É isto sim senhor, o meu senhor escritor.

Atirar com as costas da mão um copo para um pouco mais longe do que perto. Com uma mão sobre a fronte, onde o cabelo fronteia a testa.
Escondido em palavras de verborreia, como um escudo que se faz de conta não se ter.

Sair por sair na hipocrisia de justificação, expiação e explicação.
“Sai porque sai”.
“Sai , porque assim me ordeno” – e eu sou o dono e senhor da uma qualquer realidade momentânea.
Como esta, por exemplo.

O que quero dizer, é que estou farto de assinaturas “o que eu quero dizer”.
Que quero que saia sem pompa e circunstancia.
Sem motivos ocultos ou assumidos.
Que quero poder perder-me em franca escrita pela santidade que ela por si é.
Escrever, mas não pelo que me está sempre e em todo o lado.
Como aqui, por exemplo.

Mr. Writer – Stereophonics

Mr Writer, why don’t you tell it like it is?
Why don’t you tell it like it really is?
Before you go on home
 Imagem: Constatine (2005)

Dunkirk (2017)

Dunkirk não é só um filme, mas sim uma experiência e embora na sua estrutura arriscada possa se tornar redutor e provocar a alienação de alguns expectadores, para nós, os restantes, o filme toma a posição de uma janela agridoce, uma obra-prima para a maior falha da humanidade.

As expectativas eram altas para Christopher Nolan.
O seu ultimo filme, Interstellar, abriu com cerca de $50 milhões em receita doméstica, com uma receção crítica positiva e, antes dele, filmes como The Dark Knight Rises ($160.0 milhões) e Inception ($62.9 milhões), marcaram o que tem sido uma década ininterrupta de sucesso para o realizador. No entanto, ganhos passados não representam ganhos futuros, e mesmo nomes de peso da industria com provas dadas como Gore Verbinski (Pirates of the Caribbean, 2003) e Guy Ritchie (Snatch, 2000), apresentaram este ano baixas performances no box-office doméstico (A cure for Wellness King Arthur, respectivamente). Até Ridley Scott com o retorno à serie de culto Alien ficou longe do valor de produção com o rendimento dos E.U.A.
Portanto, as expectativas eram altas para Dunkirk, mas, felizmente, expectativas que se concretizaram.
Apesar de um risco para a Warner Bro., com um orçamento de $150 milhões, e do burburinho das early previews, Dunkirk faturou $50.5 milhões no fim-de-semana de abertura e consolidou a reputação de Nolan como um dos realizadores mais lucrativos de sempre.

O filme, definido pelo realizador como “não sendo um filme de guerra”, é de facto mais uma obra de arte impressionista do que uma experiência cinematográfica.  Nolan, preocupa-se  mais com impressões sensoriais do que com a exposição do enredo e é com forte apoio na maestria de Hoyte van Hoytema (cinematografia) e Hans Zimmer (banda sonora) que o consegue, chegando o espetador ao final do filme colado ao assento como se apenas cinco minutos se tivessem passado.

A palete de cores utilizada, ao principio remanescente de outras obras de época sobre o mesmo tema e período, como Atonement (2008) ou Testament of Youth (2014), cresce e transforma-se com o desenrolar da ação, embrulhando-nos imperceptivelmente cada vez mais no momento que Nolan  recria. Como quando uma das personagens principais chega à praia de Dunquerque, apenas para observar um painel branco, pálido e desolado de estagnação, estando apenas momentos antes  numa palete vibrante e colorida, simbolizando adrenalina de estar vivo após uma perseguição do inimigo. Não é apenas a cinematografia que é soberba. Através da utilização de câmaras IMAX em conjunto com o enquadramento, os planos utilizados em Dunkirk criam assombro ou claustrofobia para um mise en scène imersivo, onde qualquer momento poderia ser uma foto maravilhosamente enquadrada e estudada.

Em complemento, mais que o jogo visual, é o som que consegue fazer subjugar a audiência. Hans Zimmer desde muito cedo que consegue criar uma ambiente ensurdecedor de stress continuo, como se nós próprios estivéssemos naquela praia a segurar uma expectativa frágil, um estado de alerta onde a mais pequena interrupção nos faz saltar em reação.  O compositor, à semelhança de que já fez em projetos anteriores como Interstellar (2014) ou Sherlock Holmes (2011), recorre ao tiquetaque de um relógio e uma estrutura musical de crescendo sem nunca se concretizar, projetando um ambiente tenso que nos obriga a prestar atenção. Após a visualização do filme, fica a sensação que por entre explosões, silêncios e gritos de angústia, nem por uma vez deixou a música de tocar e o desespero de se sentir.
Uma melhor explicação deste efeito em “Vox: The sound illusion that makes Dunkirk so intense“.

Onde a cunha pessoal de Nolan brilha e se destaca, é na complexa tendência que tem para jogar com a interpretação tradicional da audiência sobre o tempo e espaço. Em Dunkirk, Nolan  escreve e oferece narrativas distintas, mas interconetadas sobre o mesmo evento.
Numa tentativa de não fazer spoiler, a primeira narrativa prende-se com Tommy (Fionn Whitehead), um jovem soldado inglês que se junta a outros dois soldados, Gibson ( Aneurin Barnard) e Alex (Harry Styles) para juntos desafiarem uma e outra vez a morte em tentativas sucessivas de voltar para Inglaterra – são os soldados, que em desepero largam as armas para se salvarem.
O segundo ponto de vista, surge pelo Comandante Bolton (Kenneth Branah), que serve como veículo para a exposição de Nolan sobre o alto poder militar e todas a variáveis logísticas e dilemas que um punhado de homens tem de lidar para decidir as vidas ou mortes de 400.000 militares – é sobre esta optica que a audiência entende a escala e o desespero coletivo do conflito.
As duas narrativas restantes, aparecem através de Farrier (Tom Hardy), o exímio piloto que tenta a sacrifício pessoal proteger o máximo de embarcações possível – de louvar tanto o trabalho de Nolan como de Tom Hardy, apesar do escasso diálogo a personagem de Hardy consegue marcar a audiência através da soma total das suas ações – e Dawson (Mark Rylance), o cívil de meia-idade, o homem “velho” que quando vê o seu pequeno iate confiscado para o resgate militar decide, com a companhia do filho, tomar parte ativa do conflito e tentar salvar o máximo de vidas possível.

Todo o enredo é simplista no dialogo, mas intrincado e contrastante na sua estrutura..  O realizador, à semelhança do que fez em entrada anteriores, trabalha a ideia de que a forma como percebemos o tempo e espaço como rápido ou lento, longe ou perto, depende de onde estamos, ou seja, do nosso ponto de vista. Algo evidente na estrutura do filme através dos seus três principais arcos: apesar de equivalente distribuídos, passam-se numa hora, num dia, e numa semana. O filme salta sobre eles como se fossem equiparáveis, numa forma e estilo que comprime e expande o tempo para dar ênfase à mensagem que Nolan quer transmitir no momento – aqui uma batalha aérea que dura trinta segundos, tem o mesmo tempo percebido para nós que os militares que esperam por nove dias o resgate na praia. Dunkirk é um retrato da sociedade, de como esta luta pela sua sobrevivência.
O filme não está preocupado com os indivíduos a não ser que estes se estejam a tentar salvar-se a si ou a outros. Prefere explorar como os paradigmas de vida ou morte se relacionam multidimensionalmente, numa tentativa de retrato fidedigno da complexidade moral da guerra, que está eficazmente presente e caracterizada em todas as nuances que lhe compõem o cenário.

Dunkirk não é só um filme, mas também uma experiência. Embora na sua estrutura arriscada se possa tornar redutor e provocar a alienação de alguns expectadores, para nós, os restantes, o filme toma a posição de uma janela agridoce, uma obra-prima para a maior falha da humanidade.