Turbilhão de coisa alguma

Talvez percebesses que um turbilhão não é um nó ensimesmado, com ponta de novelo igual ao fim, que é uma explosão de pó de espaço, brilhante e amarelo, verde, rosa, azul, ocaso, numa tela gigante e particular.
Talvez percebesses que sempre te o foi.

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Se eu conseguisse fazer-te estar, sorriria só.
Talvez percebesses que nada é sério, que o que eu tenho é leve, que me faz feliz.
Que é suposto fazer feliz.
Talvez pudesses perceber o tempo… e quanto demasiado há dele na distância.
Talvez pudesses perceber que as pedras mudam de tamanho e forma. Com a violência do vento, com a gentileza da água…
Talvez percebesses que o céu é suposto ser feito de confusão e que são as nuvens que fazem brilhar o azul, mesmo as cinzentas.
Talvez percebesses que um turbilhão não é um nó ensimesmado, com ponta de novelo igual ao fim, que é uma explosão de pó de espaço, brilhante e amarelo, verde, rosa, azul, ocaso, numa tela gigante e particular.
Talvez percebesses que sempre te o foi.
Talvez percebesses o antónimo de pensar, quando me tens à frente para olhar.
Talvez percebesses que o leão tem um dente, feroz, inamovível, irredutível. E que és tu que o guardas.
Talvez percebesses tudo, talvez não percebesses nada, mas eu sorriria. Só.

Imagem: Allied (2016)
Música: Chet Baker – My Funny Valentine

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