Querido, Amor.

Quero te dizer, mesmo não querendo, que te olho demasiado perto, mesmo quando fecho os olhos para não te ver.

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Querido, Amor.
O que te quero dizer?

Quero dizer que és trejeitos castanhos, por entre madeixas despenteadas.
Por entre olhares meus que não sabes que tenho, que não sabes que decoro.
Quero te dizer que és linhas finas, desenhadas por sombras de noites longas à luz de candeeiros.
Linhas familiares, que beijo em memórias de sonhos.

Quero te dizer que és riso, que o pior, é que és riso.
Quero te dizer que és presença. Que estás. Sempre.
Que és uma pedra. Uma que é grande à frente e pequena em baixo.
Que mesmo que te pontapeie e atire, para a frente ou para trás, que não me vejo livre de ti.

Quero dizer que não sei se te mereço, mas que também não sei me mereces.
Que isso pouco importa.
Que eu não escolho, nem tu escolhes, quem te dá e a quem te dás.

Quero te dizer, mesmo não querendo, que te olho demasiado perto, mesmo quando fecho os olhos para não te ver.

Imagem: Anna Karenina (2012)

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