Cósmica

A indulgência é algo perigoso,

Eu saio, eu penso.. e tu disparas.
Para orbita, para um universo de cores que tento cobrir de olhos meio fechados e um pano demasiado pequeno.

Quando penso que se foi,
sobe-me,
como turbulência que entra pelas pontas dos dedos,
em choque,
como um deslize e um abraço de electricidade.

As estrelas (e a poeira cósmica) revoltam-se em dourado e cor-de-rosa,
zangadas,
maravilhadas pelo que isto é:
uma explosão violenta, incontrolável… de mel e calor,
calor quente.
E porque não pára?
Porque derrete assim em mim? Me cobre dentro e fora.
Porque é que está sem voltar e sem nunca ir?
Porque é que me dança e dança sem tocar?

Imagem: By The Sea (2015)